silva cravo arquitectos

casa mortuária . barrancos

A morte, a um determinado nível, é a condição para uma vida superior no estado sequente; a renovação; o renascimento. A morte não é um fim em si; ela abre o acesso ao reino do espírito, à vida verdadeira e, nesse sentido, a morte é a porta da vida: mors janua vitae. "Construir assim o caminho da morte, depois de ter construído o caminho da vida, é talvez desenhar a ressurreição". (Pinho, Arnaldo, in Jardim e Casa Mortuária da Igreja de Santa Maria."A antiga divindade do ar entre as colunas").
Propomos um “não edifício”, sem alçado, cobertura ou vãos, uma azinhaga que torneia um olival, um percurso que se desdobra e vence a topografia do lote, um muro construído em pedra local, empilhada e argamassada, que inflecte e desenha um percurso de imersão, e emersão na espiritualidade. Esse caminho murado, tira partido da sua condição sobranceira ao vale e une o estacionamento automóvel proposto na Rua de São Bento à Travessa da Preguiçosa. Azinhagas ligam este percurso acessível ao terreiro da Igreja, que para além de interligarem os vários momentos do “programa”, ganham uma nova informalidade entre oliveiras. São requalificados os arruamentos e o acesso à Igreja. São enterradas as infraestruturas existentes, e o Posto de Transformação é relocalizado e integrado no projecto. Uma escadaria é construída e aposta ao miradouro permitindo uma ligação protegida dos peões entre o Cemitério e a Casa Mortuária. A entrada pública é anunciada a partir de um pátio com uma oliveira que se abre a partir deste grande muro que atravessa o lote. Uma sucessão de espaços vernaculares entre-muros (de acesso público e de serviço) convergem numa “cisterna” ( salas de velatório ), que é iluminada por 2 poços de luz natural.
A intervenção pautar-se-à pelo uso de materiais e soluções construtivas tradicionais. Restringir-se-à à utilização da pedra empilhada e argamassada, existente no próprio lote para a construção de todos os muros e paredes. Será britada e compactada para revestir os pavimentos exteriores, permitindo uma maior integração na paisagem e uma compreensão homogénea do conjunto. O seu interior será integralmente caiado a branco, remetendo para a luz um papel potenciador do seu ambiente. Pretende-se, mais do que responder a um programa, dotar a Vila de Barrancos de um parque/jardim centralizador e catalisador de uma identidade, aberto à fruição e socialmente inclusivo, sobretudo no que se refere às condições de acessibilidade/mobilidade e segurança.


Death, until a certain extent, is a condition for a superior life on the sequent state; renovation, rebirth. Death is not an end in itself; it opens access to the spiritual realm, to the true life and, on that sense, it's life's gate: mors janua vitae. “To construct the path of death, after constructing the path of life, is maybe to draw the ressurrection.” (Pinho, Arnaldo, in Jardim e Casa Mortuária da Igreja de Santa Maria."A antiga divindade do ar entre as colunas").
Therefore, we propose a “non-building”, without a facade, rooftop or openings, one lane that contours the olive grove, a path that unfolds and wins over the topography of the lot, a wall built in local stone, pilled up and mortared, that draws a pathway of immersion on the landscape and in spirituality. This walled path takes advantage of its overbearing condition over the valley and it connects the parking proposed on the street São Bento à Travessa da Preguiçosa. Several lanes link this accessible path to the church square and gain a new informallity between the olive trees. The streets that lead to the church are requalified. Existent infrastructures are buried and the transformation post is relocated and integrated on the project. A stairway is built, allowing a safe connection for the pedestrians between the cemetery and the mortuary house. The public entrance is announced from the patio with the olive tree that is unveiled from that wall and crosses the lot. A succesion of vernacular spaces between walls – of public access and services - develop until reaching the wake room, that is lightened by two wells of natural light.
The intervention will use tradicional materials and solutions and it will be restricted to the use of pilled stone, existent on the lot, to the construction of every wall. Besides that, it's going to be put under the process of compaction in order to allow a great integration on the landscape and to achieve and homogeneous appearence of the set, Its interior will be fully painted in white, leaving Light to play an important part on the environment. Furthermore, the project aims not only to provide a Mortuary house for the village of Barrancos, but also to design a main park for the citizens. Ân identity catalyst, open and socially inclusive, considering all of the mobility and safety restrictions.

casa mortuária . barrancos

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